Tecnologia no setor financeiro: transações em tempo real

Você abre o aplicativo do banco, informa o valor, confere o destinatário e confirma o pagamento. Em poucos segundos, o dinheiro está disponível na outra conta. No Pix, essa experiência funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados. Para o usuário, são poucas ações na tela. Para as instituições envolvidas, existe uma infraestrutura que precisa processar a operação e comunicar seu resultado com segurança.

É nesse percurso que a tecnologia no setor financeiro mostra sua complexidade. Autenticação, comunicação entre sistemas, controles de segurança e liquidação fazem parte de uma operação que parece quase imediata para quem está pagando.

Acompanhar o caminho de uma transação ajuda a compreender o que sustenta essa experiência e quais competências de TI precisam estar presentes nas equipes responsáveis por ela.

O que acontece depois que o usuário confirma o pagamento?

O fluxo varia conforme a modalidade de pagamento e a arquitetura da instituição. Tomando uma transferência instantânea pelo aplicativo como exemplo, é possível observar algumas das principais camadas envolvidas.

Autenticação e controles de segurança

A instituição precisa verificar quem está utilizando o serviço. Senhas, biometria e tokens estão entre os mecanismos de autenticação que podem fazer parte dessa etapa. No Pix, eles integram um conjunto de proteções que também inclui limites e verificações de risco de fraude. Uma autenticação válida, portanto, não dispensa a análise da operação.

A segurança também precisa acompanhar a comunicação entre os sistemas. Na infraestrutura do Pix, a troca de informações entre participantes ocorre em uma rede separada da internet pública, com criptografia e certificados digitais. Essa proteção nos bastidores complementa os controles que o cliente encontra no aplicativo.

Para as equipes de TI, o desafio é incorporar essas verificações ao fluxo sem criar obstáculos desnecessários para quem está realizando uma operação legítima.

Integração entre aplicativos e sistemas financeiros

O aplicativo precisa se comunicar com os serviços responsáveis por executar suas solicitações. Nesse caminho, as APIs, interfaces que estabelecem regras para a comunicação entre aplicações, permitem consultar informações, encaminhar pedidos e receber respostas. Elas são parte importante da integração de sistemas financeiros.

No caso de um Pix iniciado por chave, existe ainda a identificação da conta de destino. O Diretório de Identificadores de Contas Transacionais, conhecido como DICT, mantém a associação entre as chaves Pix e os dados das contas correspondentes. Localizar o destinatário é uma etapa diferente de movimentar o dinheiro, embora ambas componham a mesma experiência para o usuário.

Essa distinção ajuda a dimensionar o trabalho de integração. Cada componente tem uma responsabilidade, e a comunicação entre eles precisa preservar o significado das informações trocadas.

Processamento e liquidação da transação

A liquidação é a etapa em que a movimentação financeira é efetivada. No Pix, o Sistema de Pagamentos Instantâneos, o SPI, é a infraestrutura central de liquidação operada pelo Banco Central. As operações que passam por ele são processadas individualmente, em tempo real, com movimentações nas contas dos participantes diretos mantidas no BC.

Isso significa que a confirmação de um pagamento precisa corresponder ao estado real da operação. Em integrações financeiras, receber uma solicitação, estar processando essa solicitação e concluir seu processamento são situações diferentes. A aplicação deve acompanhar essas mudanças para comunicar corretamente o resultado ao usuário.

E quando a conexão falha depois do pagamento?

Imagine que uma solicitação seja processada, mas uma falha de comunicação impeça a resposta de chegar ao aplicativo. Para o usuário, pode parecer que nada aconteceu. Para o sistema que executou a operação, ela já pode estar concluída.

Esse tipo de situação explica a importância da idempotência. Apesar do nome técnico, a finalidade é prática: permitir que uma mesma solicitação seja reenviada sem executar a operação duas vezes. A implementação utiliza um identificador para reconhecer novas tentativas referentes ao mesmo pedido.

O cuidado está em diferenciar uma tentativa de recuperar o resultado de um pagamento de uma nova ordem de pagamento. Preservar esse identificador nos reenvios e consultar o estado da transação são medidas que ajudam a tratar falhas sem criar movimentações duplicadas.

Ao avaliar uma solução financeira, portanto, vale perguntar como ela se comporta quando a resposta não chega, e não apenas quando todo o fluxo funciona como esperado.

Alta disponibilidade exige preparo para picos e falhas

A infraestrutura financeira digital precisa acompanhar variações de demanda e reduzir o impacto de falhas. Distribuir o processamento entre diferentes recursos, evitar pontos únicos de falha e estabelecer mecanismos de recuperação são práticas importantes para aumentar a confiabilidade da operação.

A nuvem pode apoiar esse trabalho ao permitir ajustes de capacidade conforme o uso. Mas a disponibilidade depende de como os recursos são configurados, distribuídos e monitorados. A expansão de capacidade também precisa considerar os limites dos serviços utilizados.

Os testes devem verificar tanto o funcionamento habitual quanto os procedimentos de recuperação. Simular falhas ajuda a identificar caminhos que poderiam interromper a operação e permite corrigir problemas antes de um incidente real.

Para um gestor de tecnologia, isso se traduz em perguntas concretas. O que acontece quando um componente fica indisponível? Como a equipe identifica a falha? O procedimento de recuperação já foi testado? Essas respostas precisam fazer parte do projeto, e não surgir apenas durante uma interrupção.

Como descobrir onde uma transação ficou lenta?

Um aplicativo pode continuar acessível enquanto uma etapa específica demora mais do que deveria. Identificar a origem dessa lentidão exige visibilidade sobre o caminho percorrido pela solicitação.

É esse o papel da observabilidade. Métricas mostram o comportamento dos serviços, logs registram eventos e rastreamentos distribuídos permitem acompanhar uma solicitação ao passar por diferentes componentes. Quando essas informações são correlacionadas, fica mais fácil investigar onde ocorreu um erro ou uma demora.

Em uma análise de pagamento, por exemplo, a equipe pode investigar se o atraso aconteceu na entrada da solicitação, em um serviço intermediário ou no acesso a uma base de dados. O rastreamento ajuda a substituir uma percepção genérica de que “o sistema está lento” por uma investigação direcionada.

Para a gestão, a pergunta mais útil deixa de ser apenas “o aplicativo está no ar?” e passa a ser “o cliente consegue concluir a operação corretamente?”.

Quais profissionais de TI essa infraestrutura exige?

Ao reunir essas etapas, fica claro por que a composição da equipe deve partir dos desafios da operação. Para planejar as competências necessárias, vale considerar três frentes:

  • Desenvolvimento e integração: desenvolvedores, arquitetos de soluções e especialistas em integração para trabalhar nas aplicações, nas APIs e na comunicação entre os componentes.
  • Infraestrutura e operação: profissionais de nuvem, redes, bancos de dados e confiabilidade para cuidar de capacidade, desempenho, monitoramento e recuperação.
  • Segurança e qualidade: especialistas em cibersegurança e testes para avaliar controles de acesso, comportamento das aplicações e cenários de falha.

A prioridade muda conforme o projeto. Uma iniciativa de integração pode exigir reforço em desenvolvimento e arquitetura. Uma operação que enfrenta lentidão precisa investigar seus gargalos antes de decidir quais perfis contratar. Já a preparação para mudanças críticas deve contemplar as competências necessárias para testar e acompanhar a implantação.

Por isso, preencher uma vaga não deveria começar apenas pela lista de ferramentas exigidas. É importante definir qual problema o profissional vai ajudar a resolver, com quais sistemas trabalhará e como sua atuação se conecta às demais equipes.

Profissionais sob medida para os desafios do setor financeiro

A Runtalent atua na alocação de profissionais de TI de acordo com as necessidades de cada empresa, apoiando frentes como desenvolvimento, integração, migração, infraestrutura e sustentação. A seleção considera o perfil necessário para o projeto ou para a operação.

Para empresas do setor financeiro, essa abordagem permite orientar a busca de talentos a partir de demandas concretas. O ponto de partida pode ser uma nova integração, a evolução de uma aplicação ou a necessidade de reforçar a sustentação de um ambiente crítico.

A experiência de quem paga é simples. O trabalho de quem constrói e mantém essa experiência precisa ser cuidadosamente planejado, inclusive na escolha dos profissionais envolvidos.

Sua empresa precisa reforçar a equipe responsável por essa operação? Fale com a gente e encontre profissionais de TI sob medida para os seus desafios.